1o trabalho: exosonoro

1o Trabalho, Composição feita com gravações

exosonoro

http://nikolasgomes.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Tripstars.mp3

Análise da obra composta com as gravações feitas em aula com os colegas

Introdução

Na última semana de Outubro de 2019, a NASA divulgou um vídeo mostrando uma representação de um “mapa” da nossa galáxia onde marcavam todos os mais de quatro mil exoplanetas já descobertos. Consumido pela abstração de imensidão que essa notícia me trouxe, decidi compor uma peça que oferecesse ao ouvinte um senso de navegação por este território galáctico. Uma navegação que mistura a calmaria da imensidão de olhar todos esses planetas separados por distâncias impalpáveis e também a euforia de se aproximar de cada corpo galáctico sonoro e perceber suas variâncias e diferenças entre si.

Análise

0s a 10s

Nos primeiros 10s a vista é de cima, olhando todo o “mapa galáctico”, o navegador se questiona onde ir primeiro, em qual ponto do mapa aproximar com um zoom. A escolha estética para isso foi a de continuidade, com certa estabilidade na escuta, algumas ocorrências pontuais de interferências eletromagnéticas e algum movimento discreto no panorama sonoro. 

10s a 14s

Um movimento repentino e com oscilação panorâmica bem pronunciada representa a aproximação de um exoplaneta, como um zoom em uma imagem para focar em um ponto específico da mesma. Quebra de continuidade, descontinuidade radical e captura da atenção do ouvinte. Repentina finalização do som e instante de silêncio no áudio para preparar o espectador para a “imagem” sonora do primeiro planeta abstrato da obra.

14s a 30s

O corpo do exoplaneta surge representado pelo volume da obra que cresce, a dinâmica cresce, as frequências ficam mais graves e buscam representar a iminência do exoplaneta sendo apreciado, os movimentos de panorama são mais proeminentes, trocando a atenção do ouvinte entre lado esquerdo e lado direito, como alguém que tenta apreender informação de algo novo e intenso, o planeta vai ficando pelo caminho enquanto o navegante segue sua viagem e volta a navegar pela imensidão espacial entre este corpo e o próximo. Há uma sensação de continuidade ambivalente entre este trecho e o próximo trecho. 

30s a 42s

Nova navegação entre exoplanetas, a continuidade estável retorna, uma sensação de imensidão, mas não mais uma vastidão, e sim uma direção, navegando de um exoplaneta para o próximo. Uma busca pela continuidade progressiva, numa analogia a movimentação pelo espaço.

42s a 59s

Um novo planeta, não tão grande, não tão grave. Esse planeta gira, o som se movimenta no panorama como um corpo que se move na nossa frente. O movimento melódico também chama para a movimentação em nossa direção como um objeto que se aproxima. A continuidade e descontinuidade se mesclam, em uma ambivalência e representação de aproximação física mas distanciamento de lógica do novo corpo que se apresenta.

59s a 1:05

Um corte abrupto no som e uma nova vastidão, ainda mais baixa em dinâmica que as anteriores. Sons reconhecíveis, mas com menos volume, logo mais escondidos no ruído de fundo que representa as estrelas de fundo nesse mapa. Uma continuidade causada pela semântica de reconhecimento desse som a partir das sessões anteriores de imensidão e deslocamento.

1:05 a 1:14

Uma ruptura absoluta nas continuidades. O som se torna caótico no âmbito rítmico (temporal), o exoplaneta se torna notável e perigoso. Como um exovenus com suas tempestades constantes na superfície. A quebra de tranquilidade e apreciação torna a audição confusa e até um tanto desagradável. 

1:14 a 1:15

O navegador foge das tempestades do exoplaneta. Uma quebra semântica dos padrões de timbre do caos anterior trazendo o ouvinte de volta ao zoom do início da obra. Um som reconhecível e pontual, diferente dos momentos de vastidão. O mesmo barulho do primeiro “zoom” no “mapa”, porém em reverso. Um zoom out. Correndo de volta para a calmaria da imensidão do espaço.

1:15 a 1:25

A imensidão retorna, a continuidade estabiliza de novo e o ouvinte tem um tempo de recomposição depois da cacofonia rítmica do último corpo galáctico.

1:25 a 1:37

O próximo corpo sonoro se demonstra intenso, mas ainda controlado, com alguma movimentação panorâmica, mas com altura e volume estáveis. A sensação de continuidade ambivalente é inerente.

1:37 a 2:07

A imensidão e vastidão retornam, porém aqui o ouvinte está já transtornado pela carga de informações trazidas em cada visita. O som estável em altura e gesto, possui uma movimentação inquieta.

2:07 a 2:27

Aqui acontece a maior quebra semântica da obra, de repente a música se enche de sons reconhecíveis, sons terrenos e cotidianos. Nenhum som se sobressai ao outro, não há protagonismos como haviam antes nos exosons. A continuidade da obra é completamente quebrada aqui e o ouvinte se sente aturdido pela gama de novos timbres. A reverberação surge pela primeira vez também, trazendo ele de volta a um espaço. Trazendo de volta a sua casa.

2:27 a 2:30

Mais um “zoom”, o movimento de retorno à imensidão e navegação. Um retorno a continuidade ambivalente. Um aviso semântico de retorno aos exosons de antes.

2:30 a 2:41

A última apreciação da imensidão, a conexão do final com o início, permitindo uma audição cíclica da obra. Como o oroboros, a obra se conecta em si e fecha uma continuidade endógena num âmbito ambivalente.